Pular para o conteúdo

Noruegueses classificam como “ridículo” e “patético” gesto de Maria Corina Machado ao entregar medalha do Nobel da Paz a Trump

Foto: Daniel Torok / The White House (Domínio público)

A decisão de Maria Corina Machado de entregar a medalha física do Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump provocou forte reação negativa na Noruega, país responsável pela premiação. Políticos, jornalistas e analistas noruegueses classificaram o gesto como “ridículo”, “patético”, “insólito” e politicamente oportunista.

A crítica central não se limita à figura de Trump, mas ao uso político de um dos símbolos mais relevantes da diplomacia internacional. Na visão predominante na Noruega, o Nobel da Paz não é um objeto simbólico transferível nem um instrumento de agradecimento político, mas um reconhecimento pessoal, histórico e intransferível.

Parlamentares noruegueses afirmaram que o gesto desrespeita a tradição do prêmio e contribui para esvaziar seu significado. Para eles, associar Trump ao Nobel da Paz contraria os valores historicamente vinculados à premiação, como mediação de conflitos, defesa do multilateralismo e redução de tensões internacionais.

Diante da repercussão, o Comitê Nobel Norueguês e o Instituto Nobel da Paz reforçaram publicamente que o prêmio não pode ser compartilhado, transferido ou reinterpretado. A posse da medalha física não altera em nada o status oficial do laureado nem concede qualquer legitimidade ao destinatário.

Na imprensa norueguesa, o episódio foi tratado como um uso instrumental da linguagem da paz, com motivação ideológica e estratégica. Analistas destacaram que, na Europa, Trump é amplamente associado à ruptura de acordos internacionais, retórica beligerante e desprezo por mecanismos multilaterais — características vistas como incompatíveis com o espírito do Nobel da Paz.

Para críticos locais, o caso expõe um fenômeno recorrente: a politização de símbolos internacionais como forma de legitimação política. O gesto de Machado, longe de ser interpretado como diplomático ou simbólico, foi visto na Noruega como um ato constrangedor que banaliza um prêmio de alcance global.

Apesar da controvérsia, as instituições do Nobel afirmaram que o episódio não terá qualquer efeito institucional. Ainda assim, a reação norueguesa reacendeu o debate sobre os limites éticos do uso de prêmios históricos em disputas políticas contemporâneas.

Fontes: The Guardian; Euronews; News in English (Noruega); People Magazine; Poder360; Estratégia Global.

Texto e análise: Alison Zani