
Imagem: Ilustração gráfica do desempenho do Ibovespa. O índice atingiu 178.858,55 pontos em 23 de janeiro de 2026.
O Ibovespa alcançou na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o patamar histórico de 178.858,54 pontos, renovando sucessivos recordes e consolidando um dos movimentos de alta mais fortes da Bolsa brasileira nos últimos anos. O principal índice da B3 chegou a superar 180.532,28 pontos em máxima intradia no mesmo dia, outro marco inédito na história do índice.
A disparada do índice não ocorre por acaso e reflete uma combinação de fatores internos e externos que reposicionaram o Brasil no radar dos grandes investidores globais.
Um dos principais motores da alta é a entrada consistente de capital estrangeiro. Dados oficiais da própria B3 mostram que, até o dia 20 de janeiro de 2026, o saldo líquido de capital externo na bolsa brasileira foi positivo em cerca de R$ 8,8 bilhões, movimento que tem sustentado a tendência de alta.
Outro fator decisivo é a expectativa crescente de queda dos juros no Brasil. Embora a taxa Selic ainda esteja em patamar elevado, o mercado já precifica cortes à frente, o que tende a beneficiar diretamente a Bolsa. A perspectiva de juros mais baixos reduz a atratividade da renda fixa e favorece setores sensíveis ao crédito, como bancos, varejo, construção civil e consumo.
As blue chips também tiveram papel central na escalada do índice. Ações de grandes bancos, empresas de energia e companhias ligadas a commodities puxaram o movimento, sustentadas por preços internacionais favoráveis e pela melhora do humor global. Petrobras e Vale, por exemplo, voltaram a figurar entre os principais destaques positivos, ampliando o peso da alta no índice.
No campo doméstico, a redução do ruído político e a percepção de maior previsibilidade fiscal ajudaram a diminuir o prêmio de risco exigido pelos investidores. O mercado financeiro reagiu de forma pragmática à sinalização de estabilidade institucional e à ausência de medidas abruptas, o que contribuiu para um ambiente mais favorável aos ativos de risco.
Analistas avaliam que parte da alta também reflete uma reprecificação após anos de forte pessimismo. O Ibovespa já tinha rompido patamares recordes anteriores, como os 171.816 pontos alcançados em 21 de janeiro de 2026, e vinha acumulando ganhos expressivos no ano.
Apesar do otimismo no curtíssimo prazo, especialistas alertam que o patamar atual exige cautela. A continuidade da tendência dependerá da manutenção do fluxo estrangeiro, da confirmação do ciclo de queda dos juros e da evolução do cenário internacional. Ainda assim, o desempenho recente coloca o Ibovespa em um novo patamar histórico e reforça o protagonismo do Brasil no atual ciclo de realocação global de investimentos.
Fontes:
CNN Brasil (cobertura econômica)
Texto e análise: Alison Zani