Pular para o conteúdo

Morte do cão Orelha: MP manda exumar corpo e investiga delegado-geral do caso

Nova perícia busca esclarecer dúvidas sobre a morte do animal enquanto Ministério Público apura possíveis irregularidades na condução das investigações

Imagem ilustrativa: Carolina Bechelli Zylan/ND Mais – CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Por Alison Zani

O caso do cão comunitário conhecido como Orelha ganhou um novo desdobramento após o Ministério Público solicitar a exumação do corpo do animal e instaurar procedimento para apurar a atuação do delegado-geral de Santa Catarina durante a condução das investigações iniciais. A medida reacende discussões sobre rigor pericial, transparência institucional e a condução de casos de grande repercussão pública envolvendo crimes contra animais.

Os fatos que deram origem ao caso ocorreram na madrugada do dia 4 de janeiro de 2026, na região da Praia Brava, em Florianópolis, quando o cachorro comunitário teria sido agredido violentamente. O animal foi encontrado em estado grave e acabou submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro, após avaliação veterinária que apontou sofrimento intenso e poucas chances de recuperação. A repercussão nacional foi imediata, mobilizando moradores, entidades de proteção animal e autoridades.

De acordo com informações divulgadas nesta semana, promotores apontam a necessidade de aprofundar a análise técnica da morte do animal. A exumação busca viabilizar uma nova perícia independente, capaz de esclarecer de forma definitiva a causa da morte e eventuais inconsistências entre laudos anteriores e depoimentos colhidos no inquérito. Integrantes do Ministério Público afirmam que a medida é considerada excepcional, mas necessária quando há dúvidas relevantes que possam influenciar o andamento das responsabilizações. A investigação também apura relatos sobre possível coação e outras irregularidades durante o processo.

O caso Orelha gerou ampla mobilização popular desde que veio a público, com forte repercussão nas redes sociais e pressão por respostas rápidas das autoridades. O episódio passou a simbolizar debates mais amplos sobre violência contra animais e os desafios enfrentados por órgãos de segurança pública em situações marcadas por intensa comoção social.

Paralelamente à nova perícia, o Ministério Público instaurou procedimento para avaliar a conduta administrativa do delegado-geral Ulisses Gabriel. A apuração não representa acusação formal, mas busca verificar se houve eventuais falhas, decisões controversas ou exposição indevida de informações durante o andamento das investigações. Entre os pontos analisados estão declarações públicas, estratégias de comunicação e a condução do inquérito sob forte pressão social.

Em declarações à imprensa, o delegado afirmou estar tranquilo quanto às apurações e disse confiar que todos os atos praticados seguiram os protocolos institucionais. A Polícia Civil reforçou que colaborará com o Ministério Público e destacou que a reavaliação técnica faz parte do funcionamento regular do sistema de justiça.

Especialistas em direito penal e medicina veterinária avaliam que a exumação pode ser determinante para consolidar provas periciais, sobretudo em casos que dependem de evidências físicas para caracterizar maus-tratos ou agressão. Caso o novo laudo identifique divergências relevantes, o processo poderá ter novos desdobramentos jurídicos.

Com a ampliação das diligências e a retomada das análises técnicas, o caso Orelha volta ao centro das atenções, agora sob a expectativa de que a nova perícia contribua para esclarecer de forma definitiva as circunstâncias da morte do animal e eventuais responsabilidades administrativas.

Fontes:

CNN Brasil

ND+ (ND Mais)