Felício Ramuth é investigado por autoridades internacionais de Andorra após movimentações milionárias no exterior, e silêncio de Tarcísio amplia repercussão política do caso

Foto: Governo do Estado de São Paulo (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons | Na imagem: vice-governador Felício Ramuth
Texto e análise: Alison Zani
Uma investigação conduzida por autoridades do principado europeu de Andorra colocou o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), no centro de um caso que mistura suspeitas financeiras, cooperação jurídica internacional e questionamentos sobre transparência pública. A repercussão ganhou força após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) evitar responder perguntas sobre o assunto durante uma entrevista recente, atitude que aumentou o desgaste político em torno do episódio.
Investigação em Andorra e bloqueio milionário
Segundo reportagens divulgadas pela imprensa brasileira, Ramuth e sua esposa são investigados sob suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a movimentações superiores a US$ 1,6 milhão em uma conta no AndBank, instituição sediada em Andorra. Autoridades locais teriam bloqueado aproximadamente US$ 1,4 milhão ainda em 2023 enquanto analisavam a origem dos recursos.
O caso teve início após relatórios da unidade de inteligência financeira do país europeu apontarem inconsistências na documentação apresentada para justificar os valores. A apuração evoluiu para um pedido formal de cooperação internacional encaminhado ao Brasil em 2025, com procedimentos analisados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa do vice-governador afirma que não há acusação formal e sustenta que os valores têm origem lícita, foram declarados às autoridades fiscais brasileiras e já foram explicados às autoridades estrangeiras. Mesmo assim, o bloqueio prolongado dos recursos mantém o tema sob atenção constante.
Linha do tempo e impacto político
As movimentações financeiras investigadas ocorreram entre 2009 e 2011, período em que Ramuth atuava na administração municipal de São José dos Campos. Embora os fatos remontem a mais de uma década, o caso ganhou nova dimensão política por envolver uma figura que hoje ocupa um dos cargos mais relevantes do Executivo paulista e integra uma chapa com peso eleitoral significativo para 2026.
A divulgação pública da investigação reacendeu discussões sobre critérios de transparência e responsabilidade política. Em um cenário nacional marcado por sucessivas crises envolvendo autoridades públicas, qualquer sinal de dúvida sobre a origem de recursos tende a gerar forte reação da opinião pública e da oposição.
Entrevista interrompida e estratégia de silêncio
A tensão aumentou quando o governador Tarcísio de Freitas deixou uma entrevista sem responder perguntas relacionadas ao vice. Embora tenha comentado outros temas normalmente, o encerramento da conversa ao surgir o assunto foi interpretado por analistas como uma tentativa de evitar ampliar o desgaste político.
Para aliados, a postura busca evitar transformar uma investigação ainda preliminar em crise institucional. Já críticos avaliam que o silêncio pode transmitir falta de clareza em um momento em que parte da sociedade cobra respostas mais diretas de autoridades públicas.
Repercussão e próximos passos
Especialistas apontam que a investigação em Andorra ainda está em fase inicial e depende da cooperação entre os sistemas judiciais dos dois países, o que costuma tornar os processos mais lentos e complexos. Até agora, não houve denúncia formal contra o vice-governador, e o caso permanece no âmbito das apurações financeiras.
Nos bastidores políticos, entretanto, o episódio já provoca movimentações estratégicas e pode influenciar alianças futuras. O desfecho da investigação e a forma como o governo paulista decide lidar publicamente com o tema tendem a definir se o caso será apenas mais um ruído passageiro ou um fator real de desgaste político nos próximos meses.
Fontes: