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A verdade sobre o conflito Irã–EUA–Israel: não é sobre liberdade, é sobre poder

Uma análise geopolítica sobre hegemonia, energia e os interesses estratégicos por trás da escalada no Oriente Médio

Imagem: NASA’s Scientific Visualization Studio – Earth at Night (2012)

Por Alison Zani

O conflito com o Irã não gira em torno de liberdade ou defesa contra uma ameaça nuclear iminente, mas sim de uma disputa clara por poder e influência no Oriente Médio. O Irã é tratado como inimigo principalmente por sua crescente aproximação estratégica com Rússia e China — incluindo cooperação militar, pactos trilaterais e apoio mútuo que desafiam diretamente a hegemonia dos EUA na região.

Dentro desse cenário, Israel entra como um ator central, com interesse direto no enfraquecimento do Irã, visto como seu principal rival estratégico. Ao mesmo tempo em que justifica suas ações com base em segurança, também atua para manter sua superioridade militar e influência regional, influenciando a escalada do conflito e alinhando-se aos interesses dos EUA na contenção de adversários no Oriente Médio.

Na prática, Israel tem adotado uma estratégia consistente de ataques ”preventivos”, operações indiretas e pressão constante contra alvos ligados ao Irã na região, buscando limitar qualquer avanço militar ou político que possa alterar o equilíbrio de poder. Essa postura vai além da defesa imediata e se insere em uma lógica de manutenção de poder e vantagem estratégica no Oriente Médio.

Além disso, suas ações recentes têm sido amplamente criticadas por organismos internacionais e organizações de direitos humanos, especialmente no contexto da Faixa de Gaza, com denúncias de ataques a civis, destruição de infraestrutura essencial e restrições à ajuda humanitária. Ainda que Israel sustente o argumento de combate ao Hamas, o impacto dessas operações reforça a percepção de uso desproporcional da força e contribui para o aumento da instabilidade regional.

O discurso de “ameaça nuclear” e “defesa da liberdade” já foi usado antes, como na Guerra do Iraque, que se baseou em informações falsas sobre armas de destruição em massa e gerou instabilidade duradoura.

Nos EUA, nem há consenso sobre o conflito atual: pesquisas recentes (como CNN, PBS/NPR/Marist e outras de março de 2026) mostram que a maioria dos americanos (cerca de 56-59%) desaprova a ação militar contra o Irã e vê o custo alto sem benefícios claros para os EUA.

O Joe Kent, diretor do National Counterterrorism Center (ligado ao antiterrorismo), pediu demissão recentemente e afirmou publicamente que o Irã não representava uma ameaça iminente aos EUA, sugerindo que a guerra foi impulsionada por pressões externas (como de Israel) e não por urgência real de inteligência.

Do lado iraniano, nos últimos anos (2020-2025), Teerã reagiu mais a sanções, ataques e provocações (como o assassinato de Soleimani) do que iniciou conflitos diretos em grande escala — embora mantenha influência via proxies e capacidade militar significativa.

Além disso, o Irã possui alguns dos maiores recursos energéticos do mundo, com vastas reservas de petróleo e gás natural, além de uma posição geográfica extremamente estratégica próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global. Isso torna o país não apenas relevante economicamente, mas central para o funcionamento do sistema energético internacional. Nesse contexto, o interesse dos EUA não se resume ao acesso a esses recursos, mas ao controle indireto sobre seu fluxo e sobre quem tem influência na região — especialmente diante do avanço de China e Rússia.

No fundo, o objetivo aparente é enfraquecer o regime iraniano, conter sua expansão regional e bloquear o avanço de Rússia e China no Oriente Médio. Mas intervenções desse tipo já provaram ter custos elevados (humanos, econômicos e de instabilidade regional), sem garantir os resultados prometidos — e o histórico sugere que podem acabar fortalecendo exatamente os adversários que se pretende limitar.

Fontes e referências:

Estreito de Ormuz e fluxo global de petróleo (~20%)

Impacto global da guerra no setor energético

Ataques à infraestrutura energética iraniana (South Pars)

Escalada do conflito e impacto geopolítico

Retaliações iranianas e dinâmica do conflito

Questionamentos internos nos EUA sobre a guerra

Cooperação estratégica Irã, Rússia e China

Resumo histórico da Guerra do Iraque

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