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Caiado diz que Bolsonaro teve “gestão ruim” e abriu caminho para o PT

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Em entrevistas, Ronaldo Caiado afirmou que falhas na gestão de Jair Bolsonaro contribuíram para o retorno do PT ao poder em 2022.

📸 Lula Marques / Agência Brasil

Por Alison Zani

Em um movimento que redefine as peças no tabuleiro da direita para 2026, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), subiu o tom contra o legado administrativo de Jair Bolsonaro. Em declarações recentes que ecoaram nos bastidores de Brasília, Caiado rompeu a tradição de silêncio entre aliados e foi direto ao ponto: para ele, a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder não foi uma vitória apenas da esquerda, mas o resultado inevitável de uma “gestão ruim” do governo anterior.

A tese de Caiado, apresentada em entrevistas ao portal UOL e ao programa CB.Poder, é de que a direita detinha todas as ferramentas para se manter no poder, mas falhou na execução básica. “Se o PL tivesse feito uma boa gestão, o PT não voltava em 2022”, afirmou, sugerindo que o “vácuo” deixado por uma administração ineficiente serviu de tapete vermelho para o retorno do petismo.

O Diagnóstico da Ineficiência Administrativa

Caiado tem pontuado que a direita brasileira, sob o comando de Bolsonaro, focou excessivamente na “bolha de likes” e na polarização, enquanto negligenciava a complexidade de governar o Brasil. A crítica central reside na ideia de que ser conservador não basta; é preciso ser um gestor competente para não entregar o país de volta à oposição.

A Falta de Sensibilidade Política: O governador criticou abertamente a condução econômica da gestão anterior, afirmando que “faltou sensibilidade política na gestão da Fazenda” e que o governo “não soube usar os dois primeiros anos” para consolidar reformas que blindariam o país contra crises.

O Descontrole da Dívida: Durante a entrevista ao CB.Poder, Caiado questionou o aumento da dívida pública, apontando que, embora a pandemia tenha afetado todos os países, a gestão Bolsonaro falhou em explicar para onde foram destinados os recursos, permitindo que a dívida saltasse de 72% para patamares próximos a 80% do PIB.

O Contraste de Resultados: Comparando seu governo em Goiás — com altos índices de aprovação — à administração federal de 2019-2022, Caiado argumenta que a direita precisa de um “choque de profissionalismo”. Ele defende que a polarização sem entregas reais na segurança e economia é uma estratégia fadada ao fracasso.

Uma Desavença Estratégica no Campo Conservador

A postura de Caiado cria uma fratura exposta no bloco conservador. Ao rotular a gestão de Bolsonaro como “ruim” o suficiente para permitir a volta do PT, ele retira do ex-presidente o posto de líder incontestável e se posiciona como o corretor de rumos necessário.

Ao mesmo tempo em que critica a gestão passada, Caiado tenta não alienar a base, mantendo o discurso de anistia ao ex-presidente, mas enfatizando que a sucessão em 2026 exige “vivência e experiência” — uma alfinetada direta a Flávio Bolsonaro, a quem Caiado acusou de ter o “ímpeto da idade” acima do equilíbrio necessário para governar.

O Que Esperar de 2026?

O movimento de Caiado sinaliza que a próxima eleição será decidida no campo da eficiência. Se Bolsonaro abriu o caminho para o PT através de uma gestão que o governador goiano considera falha, a missão de Caiado agora é provar que a direita pode ser madura e capaz de governar sem criar as crises que alimentam seus adversários.

“Trabalho com entrega. Essa tese de bolha do PL e do PT não convence o eleitor. O Brasil deseja um governo focado em resultados concretos e na pacificação nacional,” concluiu Caiado.

Fontes:

CNN Brasil

UOL – Entrevista

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