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Coletivo judaico declara apoio à reeleição do presidente Lula

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Manifesto reúne mais de 1.500 assinaturas após Flávio Bolsonaro indicar Cláudio Lottenberg para eventual Ministério da Saúde.

O coletivo Judias e Judeus Pela Democracia tornou pública a adesão de mais de 1.500 integrantes da comunidade judaica à candidatura de reeleição da chapa Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin para o pleito presidencial de 2026. A publicação do documento, inicialmente prevista para etapas posteriores do calendário eleitoral, foi antecipada como reação direta ao anúncio feito pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro, que indicou o presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Cláudio Lottenberg, como seu eventual ministro da Saúde.

A antecipação do manifesto evidencia a disputa pelo enquadramento político e simbólico da comunidade judaica brasileira, que soma aproximadamente 120 mil pessoas com peso representativo relevante em centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro.

O Conteúdo do Manifesto e as Citações Oficiais

No texto do manifesto, os signatários rejeitam qualquer alinhamento automático entre as lideranças institucionais da comunidade e candidaturas do campo conservador ou da extrema-direita.

O documento destaca:

“Diante, mais uma vez, da ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós, judias e judeus, nos manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin nas eleições de 2026.”

Em outro trecho, o texto contesta explicitamente a pauta de segurança pública e a retórica de regimes de exceção associadas à base bolsonarista:

“Não podemos normalizar discursos como ‘polícia atira para matar’, nem propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo defendidas em rede pública como parte natural do debate democrático. Assinamos este manifesto também em lembrança de nossas histórias.”

O manifesto conclui delimitando a posição eleitoral do grupo:

“Defendemos uma sociedade em que nossas diferenças não sejam transformadas em ódio, perseguição ou inimigos a serem eliminados. Em 2026, estamos com Lula e Alckmin em defesa da democracia e da possibilidade de continuarmos lutando por ela.”

Perfil dos Signatários

A lista de mais de 1.500 adesões reúne figuras proeminentes do meio acadêmico, cultural e político:

  • Academia e Historiografia: Lilia Schwarcz, Michel Gherman e Manuela Carneiro da Cunha.
  • Gestão Pública e Economia: O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, a urbanista Raquel Rolnik e o economista David Zylbersztajn.
  • Literatura e Cultura: As escritoras Natalia Timerman e Tatiana Salem Levy, além do músico Jaques Morelenbaum.

Análise de Realismo Político

A articulação política em torno do eleitorado e das lideranças judaicas expõe três dinâmicas centrais da campanha presidencial de 2026:

Fratura da Representatividade Institucional: Ao indicar Cláudio Lottenberg, a campanha de Flávio Bolsonaro buscou consolidar apoio junto a setores empresariais e institucionais de peso, além de sinalizar ao eleitorado evangélico — tradicionalmente alinhado à pauta externa pró-Israel. A reação rápida do Judias e Judeus Pela Democracia visa desconstruir a percepção de que a CONIB representa a totalidade ideológica do eleitorado judaico.

Neutralidade Institucional vs. Engajamento Individual: Lottenberg, que preside a CONIB e o Conselho de Administração do Hospital Israelita Albert Einstein, aceitou o convite para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro e posteriormente pediu licença da presidência da CONIB e se afastou de funções de governança no Einstein durante o período eleitoral. A medida preserva a separação entre sua atuação política individual e as instituições que comanda.

Polarização Temática: A disputa demonstra que grupos minoritários e de perfil socioeconômico de alta renda continuam divididos entre a pauta de estabilidade institucional/direitos humanos (explorada pela chapa governista) e a pauta de segurança pública/aliança internacional conservadora (explorada pela oposição).

A movimentação sinaliza que a corrida de 2026 terá forte disputa por nichos de influência setorial, onde apoios declarados por elites intelectuais ou empresariais serão usados para validar as narrativas de governabilidade e frente ampla de ambos os lados.

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