
📷 Porto de Mukalla, no sudeste do Iêmen
Forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita realizaram um ataque aéreo contra o porto de Mukalla, no sudeste do Iêmen, alegando que o local estaria sendo utilizado para o desembarque de carregamentos de armas destinados a grupos separatistas do sul do país. O bombardeio ocorreu antes da emissão de um alerta oficial para evacuação da área portuária.
Horas após o ataque, a coalizão saudita recomendou que civis, trabalhadores portuários e pescadores deixassem imediatamente o porto, como medida preventiva diante da possibilidade de novas operações militares. A orientação foi divulgada por meios estatais sauditas e permanece válida até novo aviso.
Segundo autoridades de Riyadh, duas embarcações provenientes dos Emirados Árabes Unidos teriam chegado ao porto sem autorização prévia, descarregando contêineres suspeitos de conter armamentos. Os Emirados negaram as acusações, afirmando que as cargas não eram militares e que o ataque ocorreu sem coordenação ou aviso prévio.
O episódio provocou uma reação política imediata do governo iemenita reconhecido internacionalmente. Autoridades anunciaram o cancelamento de um pacto de defesa relacionado às forças envolvidas na operação em Mukalla e decretaram estado de emergência na região, citando riscos à segurança e à estabilidade local.
As tensões entre Riyadh e Abu Dhabi já vinham se intensificando nos dias anteriores. De acordo com a Reuters, a Arábia Saudita teria emitido um ultimato de 24 horas exigindo que os Emirados retirassem suas forças de determinadas áreas estratégicas do sul do Iêmen. Pouco depois do fim desse prazo, Abu Dhabi anunciou a retirada das últimas tropas que ainda mantinha no país, incluindo unidades especializadas em contraterrorismo.
A ruptura expõe divergências profundas entre antigos aliados da coalizão formada para combater os rebeldes houthis. Enquanto a Arábia Saudita defende a preservação da integridade territorial iemenita sob um governo centralizado, os Emirados são acusados por Riyadh de apoiar forças separatistas no sul — acusação que Abu Dhabi rejeita.
Analistas avaliam que a combinação do ataque em Mukalla, da evacuação de civis, da reação política do governo iemenita e da saída das forças emiradenses pode alterar significativamente o equilíbrio de poder no sul do país, ampliando a instabilidade em um conflito que já produziu uma das mais graves crises humanitárias do mundo.
Fontes: Reuters