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EUA optam por apoiar Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, na Venezuela, mantendo o chavismo no poder.

📷 Foto: Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro e atual presidente interina da Venezuela.
Crédito: imo.un / Wikimedia Commons – Domínio Público (CC0 1.0).

A Venezuela atravessa uma das maiores reviravoltas políticas de sua história recente após uma invasão militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026. Maduro foi levado sob custódia para os EUA para responder a acusações federais, em uma ação que reacendeu debates globais sobre soberania, legalidade internacional e intervenção estrangeira.

Com a saída abrupta de Maduro do poder, a Suprema Corte venezuelana determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse interinamente a presidência, decisão respaldada pelas Forças Armadas do país para garantir continuidade administrativa e evitar um vácuo de poder.

A transição, no entanto, não ocorreu com protagonismo da oposição. Lideranças oposicionistas, entre elas María Corina Machado, ficaram à margem das negociações iniciais e não foram tratadas por Washington como interlocutoras centrais do novo cenário político. Segundo a agência Reuters, Machado afirmou que não mantém contato com Donald Trump desde o final de 2025, evidenciando o distanciamento entre a oposição e a Casa Branca neste momento de rearranjo de poder.

De acordo com reportagem do Poder360, o governo dos Estados Unidos decidiu apoiar politicamente Delcy Rodríguez após a análise de um relatório da CIA que avaliou que figuras ligadas ao próprio sistema chavista teriam maior capacidade de manter estabilidade institucional no curto prazo do que líderes da oposição. A avaliação teria pesado na decisão da administração Trump de aceitar Delcy como figura central da transição.

Embora não haja um reconhecimento diplomático formal nos moldes tradicionais, o comportamento de Washington indica um apoio estratégico e pragmático à permanência de Delcy no comando interino. Autoridades americanas sinalizaram disposição para dialogar com a nova liderança venezuelana e conduzir uma transição que, segundo o discurso oficial, deveria culminar em reformas e eleições futuras.

A própria Delcy Rodríguez, após inicialmente criticar a operação militar americana como uma violação da soberania nacional, passou a adotar um tom mais conciliador, defendendo a abertura de canais de diálogo e cooperação com os Estados Unidos, buscando reduzir tensões e garantir estabilidade institucional em meio à crise.

O arranjo gera controvérsia internacional. Críticos apontam que a decisão de Washington de apoiar uma figura diretamente ligada ao antigo regime, ao mesmo tempo em que marginaliza a oposição, pode enfraquecer a legitimidade democrática do processo e prolongar a instabilidade política no país. Por outro lado, defensores da estratégia argumentam que a manutenção de quadros experientes no comando evita o colapso administrativo e reduz o risco de caos imediato.

Enquanto isso, o futuro político da Venezuela permanece indefinido. Ainda não há clareza sobre prazos, condições e garantias para eleições livres e competitivas, nem sobre até que ponto o governo interino conseguirá equilibrar pressões internas, influência externa e a demanda popular por mudanças estruturais.

Fontes: Poder360; Reuters; Associated Press (AP News).

ZIN — Zanith Inteligência e Narrativa
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