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Ponto de Ruptura: Dinamarca alerta que disputa militar dos EUA pela Groenlândia coloca OTAN à beira do colapso

Imagem: European Union (1998–2026) / Wikimedia Commons – uso autorizado.

Em uma das mais sérias crises diplomáticas desde o fim da Guerra Fria, as relações transatlânticas entre os Estados Unidos e os países europeus membros da OTAN foram dramaticamente tensionadas após declarações da administração norte-americana sugerindo que um controle ampliado — inclusive por meios militares — sobre a Groenlândia não está fora de questão.

Escalada de declarações: de interesse estratégico a ameaça direta

Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar que os Estados Unidos consideram a Groenlândia uma “prioridade de segurança nacional”, insistindo que a localização ártica do território é vital para conter influências russas e chinesas. Autoridades norte-americanas admitiram que todas as opções estão sendo avaliadas, incluindo mecanismos diplomáticos, econômicos e, em último caso, militares, para assegurar maior controle sobre a ilha.

O anúncio ocorreu poucos dias depois de uma operação militar americana em outro ponto do hemisfério — aumentando a percepção de que a administração está cada vez mais disposta a usar a força em prol de objetivos estratégicos.

Reação da Dinamarca e resposta europeia coordenada

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, fez severa advertência pública ao governo dos EUA: qualquer tentativa de usar força militar contra a Groenlândia — ainda que motivada por “interesse estratégico” — seria equivalente a um ataque a um aliado da OTAN, o que, nas palavras da premiê, “representaria o fim da própria aliança que protege a Europa desde 1949”.

Em resposta às declarações norte-americanas, vários líderes europeus alinharam suas posições com Copenhague, reafirmando que a Groenlândia pertence ao seu povo e à Dinamarca, e que nenhum país — inclusive os Estados Unidos — tem o direito de decidir o destino do território sem o consentimento formal de suas autoridades e populações.

Mobilização diplomática: planos de contingência europeus

Fontes oficiais em Paris e Berlim confirmaram que França, Alemanha e outros aliados estão trabalhando em planos conjuntos de ação caso Washington avance em direções consideradas ilegais ou agressivas contra a soberania dinamarquesa. O foco é reforçar a unidade da OTAN e reafirmar o respeito ao direito internacional e à Carta da ONU.

Paralelamente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, agendou reuniões com líderes dinamarqueses e representantes da Groenlândia na próxima semana — um sinal de que, apesar da retórica dura, ainda há canais diplomáticos sendo explorados.

O que está em jogo: segurança, recursos e a própria OTAN

Especialistas em relações internacionais observam que a disputa pela Groenlândia — rica em recursos naturais estratégicos e localizada num ponto crítico entre Europa, América do Norte e Ártico — não é apenas sobre território, mas sobre a credibilidade de alianças e normas internacionais.

A OTAN nunca enfrentou uma situação em que um estado membro pudesse ser percebido como potencial agressor contra outro — cenário que ameaça desestabilizar o fundamento do artigo 5º, que exige defesa coletiva mútua.

Oposição dentro dos EUA e impasses políticos

Mesmo internamente, figuras políticas americanas demonstram divisões: enquanto alguns membros do Congresso reforçam laços com a Dinamarca e criticam a retórica agressiva, outros endossam o discurso de segurança estratégica do governo, enfatizando a importância da Groenlândia no contexto global.

A perspectiva groenlandesa

Líderes groenlandeses têm rejeitado enfaticamente qualquer proposta de aquisição ou controle forçado, afirmando que seu destino será decidido pelo próprio povo e pelas instituições democráticas do território — sem interferência externa.

Resumo: o que começou como um comentário sobre a importância estratégica da Groenlândia evoluiu para uma crise diplomática capaz de testar a coesão da OTAN, desgastar relações entre aliados históricos e desafiar os fundamentos do sistema internacional de segurança. A situação continua a se desenrolar rapidamente, com diplomacia intensiva e vigilância geopolítica em múltiplos níveis.

Fontes: Reuters, AP News, The Guardian, Agência Brasil/EBC, Terra RFI.

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