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Os EUA não são aliados do Brasil: a história das interferências que moldaram nossa dependência

Imagem ilustrativa. Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos.

Uma análise histórica das interferências em ordem cronológica

A relação entre Brasil e Estados Unidos é frequentemente apresentada no debate público como uma parceria estratégica baseada em valores comuns, cooperação econômica e alinhamento diplomático. Essa narrativa não se sustenta quando confrontada com os fatos históricos concretos das relações bilaterais. Uma leitura detida dos eventos revela um padrão recorrente de assimetria de poder, condicionamentos econômicos, interferência política, bloqueios tecnológicos e disputas sobre soberania nacional. Ao longo de mais de sete décadas, o Brasil foi tratado prioritariamente como área de influência e instrumento de estabilidade regional, não como parceiro estratégico em pé de igualdade.

Esse histórico evidencia uma relação de tutela estratégica, e não de aliança entre iguais. Em momentos-chave do desenvolvimento nacional, os interesses brasileiros entraram em choque direto com os interesses geopolíticos e econômicos de Washington. Sempre que isso ocorreu, a reação americana limitou a autonomia brasileira, conteve projetos de industrialização soberana e preservou a posição de hegemonia no hemisfério. A seguir, os principais episódios são organizados em ordem cronológica, com foco nos impactos concretos sobre a capacidade do Brasil de decidir seu próprio projeto de desenvolvimento, sua política externa e sua soberania econômica.

Pós-Segunda Guerra Mundial (anos 1940–1950): reorganização da América Latina como zona de influência

No período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos consolidaram sua posição como principal potência econômica, financeira e militar do planeta. A América Latina foi integrada à sua arquitetura estratégica como área de segurança hemisférica, dentro da lógica da Guerra Fria, do anticomunismo e da contenção de qualquer projeto autônomo de desenvolvimento que escapasse à influência americana.

O Brasil, que havia participado do esforço de guerra ao lado dos Aliados e esperava contrapartidas em termos de industrialização pesada, acesso tecnológico e protagonismo internacional, encontrou um cenário distinto. A cooperação prometida foi limitada, seletiva e subordinada aos interesses americanos.

Na prática, o Brasil foi direcionado novamente a um papel primário-exportador, dependente da exportação de commodities e da importação de bens industriais de maior valor agregado. O financiamento externo, fundamental para projetos de infraestrutura e industrialização, passou a ser condicionado a alinhamento político, abertura comercial e moderação do papel do Estado na economia.

Políticas de industrialização autônoma enfrentaram restrições estruturais, como:

· Restrições de crédito internacional para projetos considerados “estatizantes”;
· Barreiras tecnológicas e controle de acesso a equipamentos estratégicos;
· Incentivos à especialização agrícola e mineral em detrimento da indústria pesada;
· Pressão diplomática para alinhamento automático à política externa americana.

Esse arranjo consolidou uma estrutura de dependência econômica e tecnológica que moldou a inserção internacional brasileira por décadas. O país crescia, mas dentro de limites impostos externamente, sem controle pleno sobre cadeias produtivas estratégicas, inovação industrial e autonomia financeira. Em termos geopolíticos, estabeleceu-se a lógica de que o Brasil atuaria como potência regional subordinada, responsável por estabilidade interna e alinhamento ideológico, mas sem protagonismo estratégico independente.

1954: cerco político ao projeto desenvolvimentista de Getúlio Vargas

O segundo governo de Getúlio Vargas representou a retomada explícita de um projeto nacional-desenvolvimentista voltado à soberania econômica, industrialização pesada e redução da dependência externa. Esse modelo centralizava a Petrobras como empresa estatal estratégica, fortalecia o controle nacional sobre recursos naturais, ampliava o papel do Estado na coordenação do desenvolvimento e protegia setores industriais essenciais.

O projeto varguista confrontou diretamente interesses internacionais ligados ao setor energético, ao sistema financeiro, às grandes corporações industriais e a grupos exportadores associados ao capital estrangeiro. O monopólio estatal do petróleo rompeu com a lógica de abertura irrestrita defendida por empresas internacionais e por setores internos alinhados ao liberalismo econômico e à influência americana.

O ambiente político foi marcado por instabilidade crescente, intensa pressão externa e articulações internas que reproduziam esses interesses. A imprensa, parte do empresariado, segmentos do sistema financeiro e setores das Forças Armadas atuaram na deslegitimação do projeto, difundindo narrativas de ineficiência estatal, corrupção e “ameaça ideológica”. O cerco econômico expressou-se em dificuldades de acesso a financiamento externo, restrições comerciais e pressões diplomáticas para flexibilização do controle nacional sobre setores estratégicos.

O suicídio de Vargas, em agosto de 1954, ocorreu dentro de um ambiente de isolamento político, desgaste institucional e bloqueio progressivo do projeto de desenvolvimento. Essa experiência evidenciou um padrão que se repetiria ao longo da história brasileira: sempre que o país tenta estruturar um projeto consistente de autonomia econômica, surgem mecanismos de pressão política, econômica e simbólica que operam para conter, deslegitimar ou reverter esse movimento, em um sistema internacional assimétrico.

1961–1964: interferência direta dos Estados Unidos no golpe militar

A participação dos Estados Unidos na ruptura institucional que culminou no golpe militar de 1964 é amplamente documentada por arquivos oficiais desclassificados, pesquisas acadêmicas e depoimentos históricos. Diferentemente de períodos anteriores, nesse episódio houve atuação aberta, coordenada e operacional de Washington para interferir no processo político brasileiro.

Ao longo do governo de João Goulart, os Estados Unidos financiaram e apoiaram politicamente grupos civis, partidos, institutos, lideranças empresariais e veículos de comunicação voltados à desestabilização do governo. Institutos como IPES e IBAD receberam recursos para campanhas ideológicas, produção de material de propaganda, organização de eventos e mobilização social contra as chamadas “reformas de base”, incluindo reforma agrária, tributária e fortalecimento do setor público.

No plano diplomático, a embaixada americana atuou intensamente para isolar o governo Goulart, construir narrativas de risco ideológico e preparar o reconhecimento imediato de um eventual governo resultante da ruptura institucional. Paralelamente, a Operação Brother Sam foi preparada para fornecer suporte logístico e militar indireto às forças golpistas brasileiras, incluindo deslocamento de navios, suprimentos, combustível e armamento caso houvesse resistência interna.

O objetivo estratégico central era impedir a implementação de reformas estruturais, reduzir a dependência econômica e garantir que o Brasil permanecesse rigidamente alinhado ao bloco ocidental no contexto da Guerra Fria. A interferência americana foi decisiva para redefinir o ambiente político interno brasileiro. O regime instaurado reorganizou o Estado, reprimiu forças políticas e sociais, limitou liberdades civis e alinhou a política externa aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. As consequências desse processo se estenderam por mais de duas décadas, condicionando a capacidade do Brasil de formular políticas industriais, tecnológicas e diplomáticas autônomas. O golpe de 1964 foi a consolidação de uma intervenção geopolítica que reposicionou o país dentro da lógica de dependência hemisférica.

Anos 1970: pressão dos Estados Unidos contra o acordo nuclear Brasil–Alemanha

Em 1975, o Brasil firmou um acordo com a então Alemanha Ocidental para desenvolver tecnologia nuclear completa, incluindo transferência tecnológica, capacitação industrial e domínio do ciclo do combustível. O objetivo brasileiro era reduzir a dependência externa em um setor sensível, garantir segurança energética de longo prazo e construir uma base tecnológica avançada com impactos diretos sobre a indústria e a formação científica nacional.

Os Estados Unidos exerceram forte pressão diplomática sobre o Brasil e a Alemanha para restringir, atrasar ou inviabilizar a execução do programa, sob alegações formais de riscos de proliferação nuclear. Na prática, o foco esteve na contenção da capacidade brasileira de dominar tecnologias estratégicas de uso dual, civil e militar, que ampliam o grau de autonomia de um país no sistema internacional.

Como resultado das pressões, o Brasil enfrentou isolamento diplomático, obstáculos regulatórios, restrições à transferência de equipamentos e dificuldade de cooperação técnica internacional. O episódio consolidou o uso do controle tecnológico como instrumento de poder geopolítico, preservando hierarquias internacionais e limitando a ascensão de países emergentes. A experiência mostrou que recursos naturais, mercado interno e capacidade industrial não são suficientes sem autonomia tecnológica efetiva, sob pena de vulnerabilidade estratégica prolongada.

Anos 1980: tutela financeira e condicionamento via organismos multilaterais

A crise da dívida externa no início dos anos 1980 colocou o Brasil em uma posição de forte vulnerabilidade financeira. Para evitar moratória desordenada e colapso cambial, o país passou a depender de renegociações conduzidas por organismos multilaterais influenciados pela agenda econômica e pelos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Os acordos firmados impuseram programas de ajuste econômico rígidos, condicionados a metas fiscais, cortes de gastos públicos, redução de investimento estatal, liberalização comercial gradual e prioridade absoluta ao pagamento do serviço da dívida externa. O Estado brasileiro, que até então havia sido o principal indutor da industrialização e infraestrutura, teve sua capacidade de planejamento e execução severamente limitada.

Os ajustes trouxeram retração de investimento em setores fundamentais como energia, transporte, ciência, tecnologia e indústria de base, comprometendo projetos estratégicos de longo prazo. A política econômica passou a ser orientada prioritariamente pela geração de superávits externos e estabilidade financeira, em detrimento do crescimento, inovação e integração produtiva nacional. Mais que uma crise conjuntural, consolidou-se uma forma de tutela financeira, na qual decisões centrais da política econômica ficaram condicionadas por parâmetros externos, avaliações de risco e expectativas do mercado internacional. Esse modelo reforçou a hierarquia do sistema internacional, no qual países periféricos absorvem custos de ajuste enquanto centros financeiros preservam estabilidade e influência, limitando a autonomia decisória brasileira.

Anos 1990: abertura comercial assimétrica e desindustrialização

Ao longo dos anos 1990, a América Latina foi incorporada à agenda de liberalização comercial, financeira e regulatória associada ao Consenso de Washington. O Brasil reduziu tarifas, flexibilizou controles sobre capitais, promoveu privatizações em setores considerados estratégicos e abriu amplamente seu mercado ao comércio internacional, sob a promessa de modernização e integração competitiva às cadeias globais.

Esse processo ocorreu de maneira assimétrica. Enquanto países periféricos eram pressionados a abrir seus mercados rapidamente, economias centrais mantiveram instrumentos robustos de proteção seletiva, incluindo subsídios agrícolas, barreiras técnicas, exigências sanitárias, políticas industriais encobertas e compras governamentais restritivas. Não houve reciprocidade plena. O Brasil expôs sua indústria intermediária e de maior valor agregado à concorrência internacional altamente subsidiada e tecnologicamente consolidada, sem dispor dos mecanismos equivalentes de defesa comercial, financiamento competitivo, política industrial ativa ou proteção temporária para adaptação produtiva.

O resultado foi perda gradual de competitividade industrial, fechamento de cadeias produtivas nacionais, aumento da dependência de insumos importados e redução da densidade industrial. A pauta exportadora voltou a se concentrar em commodities e bens de baixo conteúdo tecnológico. Esse movimento comprometeu a capacidade do país de gerar empregos qualificados, inovar tecnologicamente e sustentar crescimento de longo prazo.

Anos 2000–2010: disputas sobre a Base de Alcântara e soberania tecnológica

Nas negociações entre Brasil e Estados Unidos envolvendo o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, foram propostas cláusulas que restringiam a soberania operacional brasileira sobre a própria base, limitavam o acesso nacional a tecnologias sensíveis e impunham controles externos sobre áreas do território, fluxos logísticos, inspeções e circulação de pessoal. Esses termos ampliavam a dependência tecnológica e limitavam o desenvolvimento autônomo do programa espacial brasileiro.

A resistência institucional foi significativa. O Congresso Nacional, setores técnicos, comunidades científicas e especialistas em soberania identificaram riscos à integridade territorial, à autonomia tecnológica e à capacidade de formulação de uma política espacial independente. O impasse evidenciou que a disputa não se limitava à exploração comercial de lançamentos, mas envolvia o controle de tecnologias estratégicas, a manutenção de vantagens competitivas internacionais e a preservação de hierarquias no acesso ao espaço. Esse episódio reforçou o padrão recorrente na relação bilateral: quando o Brasil busca avançar em setores tecnológicos sensíveis, surgem mecanismos jurídico-diplomáticos que restringem sua margem de autonomia e ampliam a dependência estrutural.

2013: espionagem eletrônica contra o Estado brasileiro e soberania informacional

Em 2013, documentos divulgados por Edward Snowden revelaram que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) conduziu um amplo sistema de espionagem contra o Brasil, monitorando comunicações da Presidência da República, de ministérios, da Petrobras e de estruturas estratégicas do Estado brasileiro, incluindo dados sensíveis relacionados a decisões políticas, contratos, investimentos e negociações internacionais.

A coleta de informações não se limitou a objetivos de segurança. Ela abrangeu interesses econômicos, industriais e geopolíticos. O monitoramento da Petrobras, por exemplo, ocorreu em um contexto de grandes descobertas do pré-sal, envolvendo leilões bilionários e disputas internacionais por acesso a reservas energéticas. Na prática, esse episódio demonstrou que o controle da informação tornou-se um eixo central da geopolítica contemporânea, no qual a capacidade de acessar dados estratégicos confere vantagem competitiva, antecipação de decisões e influência sobre negociações. Essa forma sofisticada de projeção de poder digital expôs a assimetria estruturada entre países que dependem de infraestrutura tecnológica estrangeira para armazenar, transmitir e processar dados sensíveis.

2014–2020: cooperação judicial assimétrica, lawfare e impactos econômicos estruturais

Entre 2014 e 2020, a cooperação judicial internacional entre autoridades brasileiras e americanas em investigações envolvendo grandes empresas brasileiras resultou em impactos econômicos de grande magnitude. Agências americanas participaram ativamente de investigações, acordos de leniência e negociações de multas aplicadas a empresas brasileiras com atuação global. Em diversos casos, penalidades bilionárias foram impostas, com parte dos valores direcionados a órgãos estrangeiros, mesmo quando os fatos investigados estavam majoritariamente vinculados a operações realizadas no território nacional.

O efeito prático foi a desestruturação acelerada de grupos empresariais que atuavam como vetores de internacionalização da engenharia brasileira, competiam em grandes obras no exterior e sustentavam cadeias produtivas complexas com fornecedores, estaleiros, metalurgia pesada, logística, serviços especializados e geração de empregos qualificados. A perda de capacidade financeira, reputacional e operacional dessas empresas reduziu drasticamente sua competitividade internacional, abriu espaço para concorrentes estrangeiros e provocou retração de investimentos em infraestrutura, pesquisa, inovação e expansão produtiva.

Esse processo produziu efeitos sistêmicos sobre a estrutura econômica nacional. Cadeias produtivas inteiras foram enfraquecidas, projetos estratégicos foram interrompidos, a capacidade de planejamento de longo prazo foi comprometida e a economia perdeu instrumentos relevantes de projeção internacional. O uso de instrumentos legais operou como mecanismo de reorganização econômica e redistribuição de espaço competitivo no mercado global.

Anos 2020: barreiras comerciais persistentes e ausência de parceria estratégica efetiva

Ao longo da década de 2020, mesmo em períodos de alinhamento político entre governos brasileiros e americanos, a relação bilateral não avançou substancialmente em termos de abertura de mercado, integração produtiva ou cooperação tecnológica estruturante. Tarifas, cotas, barreiras sanitárias, exigências técnicas e mecanismos de defesa continuaram sendo aplicados a produtos brasileiros, especialmente em setores de maior valor agregado e sensibilidade econômica.

Não houve ampliação relevante do acesso do Brasil ao mercado americano em áreas estratégicas como manufaturas, bens industrializados, produtos de maior conteúdo tecnológico ou serviços de alto valor. O padrão comercial manteve-se concentrado em commodities, produtos semimanufaturados e fluxos tradicionais de baixo encadeamento produtivo. A cooperação manteve-se limitada a iniciativas pontuais, sem impacto sistêmico sobre a capacidade produtiva, científica ou tecnológica do país.

Esse quadro revela que o alinhamento político não se converteu automaticamente em ganhos econômicos estruturais. A política comercial americana seguiu orientada pela proteção de seus setores estratégicos, pela preservação de vantagens competitivas e pela seletividade no acesso a tecnologias sensíveis, independentemente da afinidade ideológica momentânea com governos parceiros.

2025: crise diplomática, emergência nacional americana e tarifas punitivas

Em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, declarou que políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro constituíam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, política externa e economia dos Estados Unidos”, por meio da Executive Order 14323, publicada em 30 de julho de 2025. A declaração oficial invocou autoridade sob a International Emergency Economic Powers Act e o National Emergencies Act para enfrentar essa “ameaça”.

Com base nessa emergência, a Ordem Executiva determinou a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, elevando a alíquota total para até 50% sobre muitos itens, com exceções específicas listadas posteriormente em anexos da própria ordem.

A justificativa oficial americana sustentou que ações brasileiras — incluindo políticas internas, decisões do Supremo Tribunal Federal e regulações de empresas de tecnologia — interferiam na economia dos EUA, violavam direitos de expressão e comprometiam interesses americanos. Essas ações foram formalmente qualificadas como prejudiciais à segurança, política externa e economia dos Estados Unidos.

A medida gerou reação formal do governo brasileiro, que contatou a Organização Mundial do Comércio (OMC), autorizou legislação de reciprocidade comercial e conduz negociações diplomáticas para reverter a tarifa punitiva.

Posteriormente, em novembro de 2025, o governo americano emitiu uma nova ordem ajustando o escopo dos produtos sujeitos à tarifa, isentando certos itens após negociações entre os dois países.

Fontes (formatadas como referências finais típicas):
The White House. Executive Order 14323, July 30, 2025.
Agência Brasil. “EUA impõem tarifa de 40% sobre produtos brasileiros”, 2025.
Wikipédia. “Relações entre Brasil e Estados Unidos”, atualizado em 2025.

ZIN — Zanith Inteligência e Narrativa
Fato, contexto e leitura estratégica do poder.