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Rússia afirma que Trump faria história ao anexar a Groenlândia

Foto: Kremlin.ru (CC BY 4.0)

Declarações recentes do Kremlin sobre a Groenlândia reacenderam uma crise diplomática no Atlântico Norte e escancararam tensões profundas dentro da Otan. Segundo autoridades russas, caso Donald Trump leve adiante a ideia de assumir o controle da Groenlândia, o ex-presidente dos Estados Unidos “entraria para a história”, não apenas pelo feito em si, mas pelo impacto geopolítico global que isso provocaria.

A fala foi interpretada menos como um elogio e mais como um comentário estratégico. Para Moscou, a simples hipótese de Washington avançar sobre um território autônomo ligado à Dinamarca representa uma ruptura inédita nas regras políticas que sustentam o sistema internacional desde o pós-Segunda Guerra.

Groenlândia no centro do tabuleiro geopolítico

A Groenlândia ocupa uma posição estratégica central no Ártico. Além de sua importância militar, o território é visto como essencial para o controle de rotas marítimas emergentes, recursos minerais estratégicos e projeção de poder em uma região cada vez mais disputada por Estados Unidos, Rússia e China.

Trump voltou a defender publicamente que os EUA deveriam assumir o controle da ilha, alegando razões de segurança nacional e a necessidade de impedir o avanço de potências rivais na região. A proposta, no entanto, foi rejeitada de forma categórica pela Dinamarca e pelas autoridades locais da Groenlândia, que reafirmaram seu direito à autodeterminação.

Moscou observa com ironia e cautela

Para a Rússia, o episódio vai além da Groenlândia. O Kremlin vê a situação como um sinal claro de desgaste interno no bloco ocidental. O desconforto europeu diante das falas de Trump, somado à ausência de uma resposta unificada da Otan, reforça a percepção russa de que os Estados Unidos estão cada vez mais dispostos a agir de forma unilateral, mesmo às custas de aliados históricos.

Autoridades russas também destacaram que a crise revela uma contradição central do discurso ocidental. Países que historicamente se apresentam como defensores da soberania e do direito internacional agora lidam com a possibilidade de uma anexação promovida por seu principal líder político recente.

OTAN sob pressão e Europa em alerta

O debate sobre a Groenlândia ampliou o desconforto entre os membros europeus da Otan. A Dinamarca, diretamente envolvida, cobra garantias de respeito à sua soberania, enquanto outros países observam com preocupação o precedente que uma ação desse tipo poderia criar.

Diplomatas europeus avaliam que, mesmo sem uma ação concreta, o simples discurso já enfraquece a credibilidade do bloco e alimenta narrativas que questionam a coerência do Ocidente no cenário internacional.

Impacto global e sinal de um mundo em transição

A reação russa deixa claro que Moscou enxerga vantagem estratégica no episódio. Ao invés de um Ocidente coeso, a crise da Groenlândia expõe divisões internas, disputas de poder e a dificuldade dos aliados em estabelecer limites claros às ambismos de Washington.

Mais do que uma disputa territorial, o caso se torna um símbolo do atual momento geopolítico: um mundo em transição, com normas sendo tensionadas, alianças fragilizadas e grandes potências testando até onde podem ir sem romper definitivamente o sistema internacional.

Fontes:

Reuters

Associated Press (AP News)

ABC News

CNN Brasil

Texto e análise: Alison Zani