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Cunhado de Vorcaro, ligado ao Banco Master, doou milhões às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022

Empresário alvo da Polícia Federal aparece entre os maiores doadores individuais das eleições de 2022, segundo registros do TSE

Foto: Editor Luiz / Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0

Por: Alison Zani

No dia 14 de janeiro, Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona novas conexões entre o sistema financeiro e o financiamento político nas eleições de 2022. Fabiano Campos Zettel, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, figura entre os alvos da Operação Compliance Zero e aparece nos registros do Tribunal Superior Eleitoral como um dos maiores doadores individuais daquele pleito.

De acordo com dados oficiais da prestação de contas, Zettel realizou doações que somam cerca de R$ 5 milhões, distribuídas principalmente entre a campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro e a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo do estado de São Paulo. Os valores colocam o empresário entre os principais financiadores privados dessas candidaturas.

A Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A operação investiga práticas que vão desde fraudes financeiras até mecanismos de ocultação de patrimônio. No contexto das diligências, Fabiano Zettel chegou a ser detido temporariamente enquanto tentava deixar o país, medida autorizada pelo Supremo Tribunal Federal para garantir o andamento das investigações.

Embora as doações tenham sido registradas de forma legal e dentro das regras eleitorais vigentes, o caso reacende o debate sobre a relação entre grandes doadores, instituições financeiras e o poder político. Especialistas em direito eleitoral destacam que a legalidade formal da doação não impede questionamentos posteriores, caso fique comprovado que os recursos tenham origem ilícita ou estejam ligados a atividades criminosas.

As campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas afirmaram, por meio de assessorias, que as doações foram feitas por pessoa física, declaradas à Justiça Eleitoral e aceitas conforme a legislação. Até o momento, não há indícios de envolvimento direto dos candidatos nas irregularidades investigadas pela Polícia Federal.

A Operação Compliance Zero segue em andamento e novas fases não estão descartadas. Investigadores trabalham com a hipótese de que o esquema sob apuração possa envolver outros agentes do mercado financeiro e possíveis ramificações políticas, ampliando o alcance da investigação nos próximos meses.

O caso reforça a atenção sobre a transparência no financiamento eleitoral e sobre os limites entre legalidade, ética e responsabilidade política em um cenário de crescente judicialização da vida pública brasileira.

Fontes:

CNN Brasil

Brasil de Fato

Metropoles