Corte milionário em políticas preventivas ocorreu dois anos antes de enchentes e deslizamentos que deixaram mortos e milhares de desabrigados na Zona da Mata.

Foto: Romeu Zema, governador de Minas Gerais. Crédito: Bruno Peres / Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Licença: CC BY 2.0.
Por Alison Zani
Belo Horizonte, 28 de fevereiro de 2026 — Dados oficiais do orçamento estadual indicam que o Governo de Minas Gerais, sob gestão do governador Romeu Zema (Novo), promoveu uma redução de 96% nos recursos destinados à prevenção e combate aos efeitos de chuvas intensas e desastres naturais entre 2023 e 2025. O corte expressivo ocorre no mesmo período em que o estado enfrenta uma das piores crises climáticas recentes, com enchentes e deslizamentos atingindo principalmente a região da Zona da Mata.
Segundo os números divulgados nas análises orçamentárias, os valores destinados a ações de prevenção, mitigação de danos e resposta a eventos extremos sofreram queda abrupta. Em 2023, foram empenhados aproximadamente R$ 135 milhões para ações relacionadas à prevenção e enfrentamento de chuvas intensas. Em 2025, o montante caiu para cerca de R$ 6 milhões. A diferença representa uma redução de 96% em dois anos, praticamente esvaziando a capacidade financeira específica destinada a políticas preventivas contra desastres naturais.
Redução em meio ao aumento de eventos extremos
O corte nos recursos ocorre em um cenário de recorrência de chuvas acima da média histórica em diversas regiões de Minas Gerais. A Zona da Mata foi uma das áreas mais afetadas nas últimas semanas, com registros de enchentes, deslizamentos de terra, destruição de moradias e vítimas fatais.
Especialistas em planejamento urbano e gestão de risco apontam que investimentos em drenagem, contenção de encostas, manutenção de infraestrutura e mapeamento de áreas vulneráveis são fundamentais para reduzir impactos de eventos climáticos severos. A queda acentuada no orçamento voltado a essas áreas reacendeu o debate sobre prioridades na gestão pública estadual.
Repercussão política
A divulgação dos dados provocou forte repercussão no meio político. Parlamentares e lideranças da oposição passaram a questionar a redução drástica dos recursos justamente em um período marcado por aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. Para críticos da gestão, o encolhimento do orçamento de prevenção compromete a capacidade do estado de agir de forma antecipada, limitando as ações a respostas emergenciais após os desastres já terem ocorrido.
Debate sobre planejamento e prevenção
O episódio coloca em evidência a importância do planejamento orçamentário estratégico em áreas sensíveis como defesa civil e prevenção de catástrofes. A diferença entre investir preventivamente e agir apenas após a tragédia se traduz, segundo especialistas, em impacto direto sobre vidas humanas, patrimônio público e estabilidade social. Com a continuidade do período chuvoso, a discussão sobre políticas de prevenção e gestão de riscos ambientais deve ganhar ainda mais espaço no debate público mineiro.
Fontes:
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