Deputado eleito por Minas não registrou presença na sessão que tratava de auxílio às cidades atingidas, enquanto nas redes sociais volta a circular uma antiga comemoração sua após o veto de cerca de R$ 900 milhões para obras relacionadas a enchentes.

Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados
Por Alison Zani
A ausência do deputado federal Nikolas Ferreira em uma votação importante na Câmara dos Deputados sobre medidas emergenciais para vítimas das chuvas em Minas Gerais provocou críticas e reabriu debates sobre a postura do parlamentar em relação a recursos destinados à prevenção e resposta a desastres naturais no estado.
A Câmara discutia o Projeto de Lei 793/2026, que prevê mecanismos de auxílio federal para municípios mineiros atingidos por fortes temporais. O texto cria medidas emergenciais para facilitar a liberação de recursos federais destinados a cidades afetadas por enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais, além de prever apoio financeiro às famílias atingidas, reconstrução de infraestrutura urbana danificada e maior agilidade em processos de ajuda humanitária.
No momento da votação, realizada em formato semipresencial, o painel da sessão indicou que o deputado não havia registrado presença, o que o impediu de participar da deliberação. Nesse modelo, os parlamentares podem votar remotamente, desde que registrem presença no sistema.
Justificativa do deputado
Após a repercussão, Nikolas Ferreira afirmou que estava em um voo sem acesso à internet no momento da votação e que, por esse motivo, não conseguiu registrar presença dentro do prazo da sessão. Segundo ele, quando finalmente conseguiu conexão, a votação já havia sido encerrada.
Apesar da explicação, a ausência gerou críticas principalmente pelo fato de o parlamentar representar Minas Gerais, estado diretamente atingido pelas chuvas que motivaram o projeto discutido.
Postagem antiga volta a circular
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão quando usuários nas redes sociais passaram a compartilhar uma publicação antiga feita por Nikolas Ferreira quando ele ainda era vereador em Belo Horizonte.
Na época, o então vereador comemorou publicamente a derrubada de cerca de R$ 900 milhões em recursos que seriam destinados a ações relacionadas a catástrofes em Minas Gerais. O valor fazia parte de um projeto que autorizaria a prefeitura da capital mineira a contrair um empréstimo de aproximadamente R$ 907 milhões para obras de infraestrutura urbana, incluindo intervenções de drenagem e prevenção de enchentes em diversas regiões da cidade.
O projeto acabou não atingindo o número mínimo de votos necessários na Câmara Municipal e foi rejeitado. Após a votação, Nikolas publicou em sua conta no Twitter comemorando o resultado e afirmando que haviam conseguido “derrubar o empréstimo de 1 bilhão” solicitado pela prefeitura.
A postagem, feita em tom de celebração política naquele momento, voltou a circular nas redes sociais e passou a ser usada por críticos como exemplo de uma suposta incoerência diante da atual situação do estado. Para adversários políticos e analistas, a combinação entre o antigo posicionamento e a ausência na votação recente reforça a percepção de distanciamento em relação às políticas de prevenção e resposta a desastres naturais.
Na ocasião, o próprio parlamentar respondeu às críticas afirmando que o projeto não garantia que os recursos seriam aplicados especificamente em obras de combate a enchentes e que sua posição contrária ao empréstimo fazia parte de uma crítica ao endividamento público do município.
Debate político
Aliados do deputado, por outro lado, afirmam que a ausência foi circunstancial e que episódios de viagem ou problemas de conexão podem acontecer no funcionamento cotidiano do Congresso. Também argumentam que uma ausência individual dificilmente altera o resultado de votações desse tipo.
Ainda assim, o episódio ilustra como declarações antigas podem ganhar novo significado diante de acontecimentos atuais. Em tempos de redes sociais e memória digital permanente, posicionamentos do passado frequentemente retornam ao debate público quando surgem novas controvérsias.
Contexto das chuvas em Minas
Minas Gerais enfrenta recorrentes períodos de chuvas intensas que provocam alagamentos, destruição de moradias e deslocamento de famílias em diversas regiões do estado. Em muitos municípios, a população depende diretamente de ações emergenciais e recursos federais para reconstrução.
Por isso, votações relacionadas a auxílio em momentos de desastre costumam ter grande peso político e simbólico, especialmente para parlamentares eleitos pelo próprio estado afetado.
No fim, ainda que a votação tenha ocorrido normalmente e o projeto tenha avançado na Câmara, a ausência de um representante mineiro em um momento delicado para o estado acabou alimentando críticas e reacendendo discussões sobre prioridades políticas e responsabilidade pública.
Fontes:
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