Apesar da superioridade militar americana, o Irã manteve seu regime, preservou capacidade estratégica e impôs custos globais ao conflito.

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Por Alison Zani
Os EUA iniciaram o ataque, que se deu início no dia 28 de fevereiro de 2026 com a Operação Epic Fury (ataques conjuntos com Israel), com os seguintes objetivos: derrubar o regime iraniano, eliminar o programa nuclear, destruir as capacidades militares do Irã e consolidar controle sobre a região e seus recursos estratégicos, especialmente o petróleo do Golfo. Não conseguiram cumprir esses objetivos.
O regime iraniano continua no poder, mesmo após a morte do aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia de bombardeios. O presidente Masoud Pezeshkian e a estrutura da Guarda Revolucionária (IRGC) mantiveram o controle, sem colapso interno ou revolta popular. Relatórios de inteligência dos próprios EUA e de Israel já indicavam que uma mudança de regime era improvável no curto prazo. O que se viu foi resiliência política, mobilização interna e unidade sob pressão.
O programa nuclear não foi eliminado, apenas danificado. Instalações como Natanz, Parchin e Arak foram atingidas, mas o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que o material de urânio permanece e que as capacidades de enriquecimento continuam. O estoque saiu intacto, e o país mantém capacidade técnica para reconstrução.
Os EUA não consolidaram controle regional e foram levados a negociar um cessar-fogo, anunciado entre 7 e 8 de abril de 2026, mediado pelo Paquistão. O Irã apresentou um plano de 10 pontos, com exigências como fim de sanções, reconstrução e compensações. Isso evidencia limite de imposição. Apesar de declarações de “vitória total”, o resultado foi fracasso estratégico.
O Irã sofreu danos significativos, com milhares de mortos e destruição de infraestrutura militar e naval. Cerca de 80% das capacidades de defesa aérea e produção militar foram atingidas, e grande parte da frota naval foi danificada ou inutilizada. Ainda assim, manteve sua estrutura de poder e capacidade de resposta.
O ponto mais crítico e importante foi o Estreito de Ormuz. O Irã interrompeu o fluxo de cerca de 20 milhões de barris diários de petróleo (aproximadamente 20% do comércio global). Isso gerou um forte choque de oferta. O Brent ultrapassou US$ 120, houve escassez de combustível na Ásia, aumento da gasolina nos EUA em cerca de US$ 0,50 por galão e redução de aproximadamente 0,3% no crescimento global. A reabertura do estreito virou condição central do cessar-fogo.
Os custos para os EUA foram elevados: cerca de US$ 3,7 bilhões nas primeiras 100 horas, chegando a aproximadamente US$ 16,5 bilhões em cerca de 12 dias, com projeções de dezenas de bilhões ao longo do conflito. Houve cerca de 13 mortos e mais de 300 feridos entre militares americanos, além de danos a bases no Oriente Médio. A reputação global dos EUA sofreu desgaste.
O impacto ultrapassa o campo militar. A guerra expôs limites da capacidade americana de impor sua vontade. Países observam, potências emergentes também. A imagem de hegemonia é afetada quando objetivos máximos não são alcançados.
O saldo é um desequilíbrio entre expectativa e resultado. Os EUA entraram como maior potência e saíram sem resolver os problemas que justificaram a guerra: o regime permanece, o programa nuclear continua e o controle regional é limitado. O Irã entrou sob pressão e saiu mais relevante, mantendo sua estrutura, capacidade de influência e impacto direto na economia global.
Quem venceu foi o Irã. Porque entrou na guerra como alvo de destruição total pelos Estados Unidos e saiu com o regime intacto, capacidade de resposta preservada e ainda impondo custo global. Em geopolítica, isso é vitória.
A guerra também mostrou que resistência assimétrica pode neutralizar superioridade militar.
Fontes:
Invezz / TradingView – Impactos iniciais da guerra e morte de liderança
Business Insider – Dados militares e operacionais da guerra EUA x Irã (2026)
Poder360 – Custos da ofensiva militar dos EUA contra o Irã
Midiamax – Inteligência dos EUA avalia Irã enfraquecido, mas intacto
Relações Exteriores – Análise estratégica sobre mudança de regime no Irã
Agência Brasil – Cessar-fogo e limitações operacionais dos EUA
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