Visita ocorreu na residência do empresário em São Paulo, no fim de 2025, logo após o dono do Banco Master obter liberdade provisória sob medidas cautelares.

📸 Senador Flávio Bolsonaro / imagem representativa
Por Alison Zani
O cenário político nacional e as investigações que cercam o sistema financeiro ganharam um novo capítulo com a confirmação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República, realizou uma visita presencial ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O encontro ocorreu no final de 2025, dias após o empresário ter sido solto de sua primeira prisão preventiva.
De acordo com informações de bastidores compartilhadas pelo próprio parlamentar a interlocutores e aliados políticos, o encontro aconteceu de forma reservada na residência de Vorcaro, localizada na capital paulista. Na ocasião, o banqueiro havia acabado de deixar o cárcere por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas permanecia sob o cumprimento de medidas restritivas severas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o dever de comparecer periodicamente em juízo.
Justificativa política e o fim dos negócios
A revelação do encontro gerou forte repercussão interna nas frentes partidárias, especialmente em um momento no qual pesquisas internas de monitoramento apontavam um desgaste na imagem pública do senador, associado aos desdobramentos do caso.
Para mitigar a crise, Flávio Bolsonaro tem argumentado a seus interlocutores que o principal motivo da visita foi de caráter estritamente comercial e de distanciamento jurídico. O senador afirmou que foi ao encontro do banqueiro para comunicar, de maneira formal e definitiva, o encerramento de qualquer tratativa financeira ou institucional que mantinha com ele antes da operação policial.
A necessidade de um “ponto final” presencial se deu após a vinda a público de mensagens de texto e áudios que revelaram negociações anteriores. Em diálogos datados de meados de novembro de 2025 — véspera da primeira prisão de Vorcaro e da subsequente liquidação do Banco Master por parte do Banco Central —, Flávio cobrava do empresário o repasse de parcelas de patrocínio destinadas a uma produção cinematográfica biográfica sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desdobramentos judiciais e nova prisão do banqueiro
Embora o encontro residencial tenha ocorrido em um breve período de liberdade provisória, a situação jurídica de Daniel Vorcaro se agravou nos meses seguintes. Em 4 de março de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decretou uma nova ordem de prisão contra o banqueiro.
A segunda detenção fundamentou-se em relatórios que apontavam risco concreto de interferência no andamento das investigações. Segundo o inquérito, Vorcaro estaria estruturando uma espécie de aparato paralelo de segurança e inteligência privada com o objetivo de obter acesso ilegal a dados sigilosos da Polícia Federal. As investigações apontam que esse grupo operava sob a liderança direta de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelas autoridades pelo codinome “Sicário”.
A assessoria do senador Flávio Bolsonaro e de sua pré-campanha presidencial foi procurada para manifestações oficiais detalhadas sobre os desdobramentos do episódio, mantendo os canais de resposta abertos. O avanço das investigações e as costuras de bastidores em Brasília seguem monitorados de perto pelas lideranças partidárias no Congresso.
Fontes:
Acompanhe no LinkedIn: ZIN Brasil News