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Vox Brasil: Lula abre vantagem com 46,8% contra 38,1% de Flávio Bolsonaro no segundo turno

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Levantamento do Instituto Vox Brasil capta a primeira grande flutuação na corrida presidencial de 2026 após o vazamento de áudios envolvendo o financiamento de cinebiografia; rejeição de candidatos ultrapassa a marca dos 50%.

📸 Lula e Flávio Bolsonaro / imagem representativa

Por Alison Zani

BRASÍLIA — A corrida pela Presidência da República em 2026 registrou sua primeira grande reviravolta estrutural nesta semana. Pesquisa nacional divulgada pelo Instituto Vox Brasil nesta quarta-feira (20 de maio) aponta o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidado na liderança de um eventual segundo turno, abrindo uma vantagem de 8,7 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O levantamento é o segundo de abrangência nacional a mensurar o impacto direto do “Caso Vorcaro” — o vazamento de áudios capturados pelo portal The Intercept Brasil no último dia 13 de maio, nos quais o parlamentar negociava um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com os dados técnicos coletados entre os dias 17 e 19 de maio, cientistas políticos associados ao instituto de pesquisa sustentam que o desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro provocou uma migração acentuada de eleitores de centro e moderados. Segundo o relatório estatístico do Vox Brasil, em comparação com as sondagens realizadas antes do escândalo, Flávio registrou uma queda de 5,7 pontos percentuais, enquanto o atual mandatário avançou 6,6 pontos no mesmo período.

O Cenário de Segundo Turno

A simulação de confronto direto entre as duas principais forças políticas do país reflete o estreitamento das opções para a centro-direita após a crise do Banco Master. Nos cenários testados pelo Vox Brasil, Lula mantém a liderança tanto contra o candidato principal do PL quanto contra alternativas da chamada “terceira via” conservadora.

Os analistas políticos do instituto apontam em seu relatório técnico que, embora nomes como o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pontuem abaixo de Flávio Bolsonaro no segundo turno, eles herdam um índice menor de rejeição imediata. Sob a ótica desses especialistas, essa dinâmica abre espaço para debates internos dentro dos partidos de oposição sobre a viabilidade de uma cabeça de chapa alternativa caso a crise jurídica do clã Bolsonaro se aprofunde.

Primeiro Turno e o Peso da Rejeição

No cenário estimulado para o primeiro turno, a fragmentação da direita ainda mantém Flávio Bolsonaro isolado na segunda posição, distante das demais forças que tentam construir palanques regionais. No entanto, de acordo com estrategistas partidários ouvidos pela reportagem, o teto de crescimento de ambos os líderes de pesquisa acendeu o alerta nas coordenações de campanha.

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 41,5%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 32,1%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 5,9%
  • Romeu Zema (Novo): 4,1%
  • Renan Santos (Missão): 1,5%
  • Augusto Cury (Avante): 0,3%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 0,2%
  • Aldo Rebelo (DC): 0,1%
  • Brancos e Nulos: 4,9%
  • Não Sabem / Não
  • Responderam: 9,4%

O Fator Rejeição: Os dados do levantamento revelam que a despolarização encontra barreiras sólidas no sentimento do eleitorado. Quando questionados sobre em quem não votariam de jeito nenhum, 52,8% apontaram Lula, enquanto 49,2% citaram Flávio Bolsonaro. Paralelamente, a gestão do governo federal caminha em linha tênue: a desaprovação da administração petista pontuou 50,4%, contra 46,1% de aprovação formal.

Desdobramentos em Brasília e a Conexão com o STF

Nos bastidores do Congresso Nacional e do Judiciário, a repercussão da pesquisa Vox Brasil acelerou movimentações estratégicas. A defesa de Flávio Bolsonaro insiste na tese de que os diálogos com Vorcaro retratam uma relação estritamente privada de patrocínio cultural, sem contrapartidas governamentais, alegando que o contato ocorreu antes da liquidação do Banco Central sobre o Banco Master.

No entanto, o foco principal de tensão deslocou-se para o Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme apurado por fontes jornalísticas junto a interlocutores do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso decorrente das investigações do Banco Master, a linha de suspeita atual dos investigadores sugere que o vazamento dos áudios possa ter sido orquestrado pela própria equipe de defesa de Daniel Vorcaro. Segundo a avaliação de interlocutores jurídicos em Brasília, o objetivo seria exercer pressão sobre o Judiciário e constranger o magistrado a acelerar a homologação dos termos de uma delação premiada do ex-bancário.

Mendonça convocou uma reunião de emergência com a cúpula da Polícia Federal para cobrar rigor na apuração do vazamento e estancar novas exposições seletivas do material apreendido. Enquanto o imbróglio jurídico avança na capital federal, consultores políticos avaliam que o tabuleiro eleitoral de 2026 dá sinais claros de que a estabilidade das intenções de voto dependerá essencialmente do ritmo e dos desdobramentos dessas investigações nos próximos meses.

Ficha Técnica

A pesquisa foi realizada pelo próprio Instituto Vox Brasil com recursos próprios e entrevistou 2.100 eleitores face a face em todas as regiões do país, entre os dias 17 e 19 de maio de 2026. A margem de erro estimada é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança estatística de 95%. O relatório completo do levantamento foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de protocolo BR-02416/2026.

Fontes:

Exame

CNN Brasil

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