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Xi Jinping defende que a IA não seja monopolizada por um único país e apresenta estratégia que fortalece os BRICS+ na revolução mundial da IA

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A criação de uma organização internacional liderada por Pequim amplia a disputa pela governança global da Inteligência Artificial e reforça a cooperação tecnológica com o Sul Global e os BRICS+.

O discurso proferido pelo presidente chinês Xi Jinping na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC 2026), nesta sexta-feira (17), marca uma mudança na postura de Pequim: a transição da retórica de cooperação para a institucionalização de um novo polo de governança global da Inteligência Artificial.

Ao afirmar que a Inteligência Artificial “não deve ser o esforço solitário de nenhum país”, Xi anunciou a criação de uma organização internacional de governança da IA sob liderança chinesa, com apoio inicial de 29 países. A iniciativa busca ampliar a cooperação tecnológica, especialmente com o Sul Global, oferecendo uma alternativa aos modelos regulatórios liderados pelas potências ocidentais.

Estratégia e desdobramentos

A iniciativa surge em um contexto de crescente rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos. Ao priorizar a cooperação com países em desenvolvimento, incluindo membros e parceiros dos BRICS, Pequim busca ampliar sua influência tecnológica e reduzir os efeitos das restrições impostas por Washington ao setor chinês de alta tecnologia.

Os principais eixos da estratégia apresentados durante a conferência incluem:

Institucionalização: A criação da nova organização multilateral transforma propostas políticas em uma estrutura permanente de cooperação. A iniciativa poderá influenciar a definição de padrões técnicos e regulatórios internacionais para a Inteligência Artificial.

Capilaridade no Sul Global: O anúncio de programas de treinamento, intercâmbio e compartilhamento de conhecimento em IA reforça a estratégia chinesa de estreitar laços tecnológicos com países em desenvolvimento, ampliando sua presença em mercados emergentes.

Controle e soberania: Sob os princípios de “segurança comum” e “prosperidade compartilhada”, a China defende um modelo de governança em que o Estado exerce papel central na supervisão e regulamentação da Inteligência Artificial, em contraste com a abordagem mais orientada pelo mercado adotada pelos Estados Unidos.

Implicações para o equilíbrio de poder

O movimento reflete a avaliação de que a liderança em Inteligência Artificial será um dos principais determinantes do poder nacional nas próximas décadas. Ao fortalecer sua rede de cooperação internacional, a China busca consolidar um ecossistema capaz de apoiar a adoção de seus padrões tecnológicos e ampliar o mercado para suas inovações.

A articulação apresentada em Xangai indica que a disputa pela Inteligência Artificial deixou de se limitar ao acesso a semicondutores e passou a representar uma competição sistêmica pela governança da economia digital e pela soberania tecnológica global. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade chinesa de transformar os compromissos de cooperação em infraestrutura, capacidade computacional e transferência efetiva de conhecimento para os países participantes.

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