Parceria prevê cooperação na cadeia de suprimentos de minerais estratégicos e criação de grupo de trabalho para destravar o acordo de livre comércio entre Mercosul e Coreia do Sul.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro oficial resultou na formalização de parcerias voltadas à cadeia de suprimentos de minerais críticos e na retomada de tratativas para viabilizar um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a economia asiática. A movimentação diplomática ocorre em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de comércio e de aumento das pressões tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
O alinhamento em minerais estratégicos
O principal resultado da visita de Estado foi a formalização de um pacto bilateral voltado à exploração, ao processamento e ao ciclo de vida de minerais críticos e terras raras.
Cadeia de suprimentos: A cooperação abrangerá etapas que vão da extração primária à aplicação industrial e tecnológica, conforme anunciado pelos governos dos dois países.
Complementaridade econômica: A iniciativa busca integrar a ampla disponibilidade de reservas minerais brasileiras à capacidade de refino e à indústria de alta tecnologia da Coreia do Sul, com o objetivo de ampliar a segurança no fornecimento de insumos considerados estratégicos para a transição energética.
Retomada das negociações com o Mercosul
No âmbito regional, o governo brasileiro anunciou a criação de um grupo de trabalho para destravar as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
Coordenação interna: O grupo será liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Mitigação de entraves: A missão do colegiado será identificar os principais obstáculos às negociações e buscar convergências regulatórias e tarifárias que permitam avançar nas tratativas, paralisadas há anos.
Diversificação externa e contexto geopolítico
A aproximação entre Brasília e Seul ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais internacionais e à estratégia do governo brasileiro de ampliar a diversificação de seus parceiros econômicos. Nesse contexto, o Executivo busca reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar oportunidades para produtos industriais, tecnológicos e do agronegócio.
Além do pacto sobre minerais estratégicos e das negociações comerciais, as delegações firmaram entendimentos nas áreas aeroespacial, energética, educacional e tecnológica, consolidando o Plano de Ação bilateral entre os dois países.
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