Mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro revelam articulação de intermediários para viabilizar encontro com ministro André Mendonça do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça confirmou ter mantido uma reunião reservada com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O encontro ocorreu em março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo, e veio à público após a revelação de mensagens e registros de áudio extraídos do aparelho celular do empresário.
De acordo com as apurações jornalísticas baseadas no material apreendido, a articulação para a reunião foi conduzida por intermediários, incluindo o advogado Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Os diálogos indicam que os interlocutores buscavam estabelecer uma interlocução entre o banqueiro e o magistrado para tratar de questões de interesse do Banco Master e de sua relação com o Banco Central. Entre as mensagens divulgadas, Ciro Rocha Soares escreveu a Vorcaro: “Tô com André M.”. Em outra mensagem, afirmou: “André quer te receber. Acho que dei uma balançada nele naquele assunto”. Em áudios enviados ao banqueiro, o advogado também relatou ter conversado com Mendonça sobre uma situação envolvendo o Banco Central e afirmou que o ministro queria receber Vorcaro.
Escopo institucional e tramitação processual
Em nota oficial emitida por sua assessoria, o gabinete de André Mendonça reconheceu o encontro, pontuando que a iniciativa partiu do empresário e que o magistrado “se limitou a ouvir” as exposições referentes à Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976. O processo em questão tratava de créditos de precatórios de interesse direto do Banco Master.
“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.” – informou o gabinete de Mendonça.
A defesa do ministro enfatizou que, na época em que a reunião foi realizada, o processo encontrava-se sob pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes e não estava sob a relatoria de Mendonça — responsabilidade assumida por ele apenas em fevereiro de 2026. Argumenta-se, ademais, que a subsequente atuação do ministro nos autos deu-se em estrita conformidade com parâmetros técnicos, culminando em posicionamentos desfavoráveis aos interesses financeiros defendidos pelo banqueiro.
Implicações no eixo político-judicial
A divulgação das mensagens e dos registros de áudio extraídos do celular de Vorcaro insere-se no desdobramento das investigações sobre o escopo de atuação do Banco Master e suas conexões com autoridades da República. O episódio reforça o escrutínio sobre os padrões de interação entre agentes reguladores, membros do Judiciário e figuras do setor financeiro privado fora dos ritos formais de gabinete, evidenciando as zonas de tensão institucional decorrentes do trânsito de intermediários nos bastidores de Brasília e São Paulo.
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