Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram pedidos sobre possíveis medidas judiciais, informações sobre as diligências e eventual saída do Brasil dias antes de sua prisão; conteúdo das respostas de Alexandre de Moraes não foi recuperado pela Polícia Federal.

Relatórios da Polícia Federal integrados aos autos da Operação Compliance Zero revelam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, consultou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a conveniência de deixar o país dias antes de sua prisão preventiva. O material veio a público após a retirada do sigilo do processo por determinação do ministro André Mendonça.
As conversas extraídas do aparelho celular do ex-banqueiro demonstram que, em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de ser detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava deixar o país em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta, Vorcaro enviou uma mensagem direta a Moraes questionando: “Acha que 2ª já tenho que estar fora?”.
Na mesma sequência de diálogos, o ex-banqueiro cobrou o monitoramento de medidas cautelares e mencionou autoridades do setor financeiro e do judiciário. Entre os trechos destacados pelos investigadores, Vorcaro perguntou: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo [presidente do Banco Central] tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”. Horas antes de ser preso pela PF em 17 de novembro, o ex-banqueiro voltou a indagar o ministro sobre o andamento das diligências: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
De acordo com a análise técnica da Polícia Federal, as interações entre Vorcaro e o magistrado ocorreram ao longo das semanas que antecederam sua prisão, com registros anteriores a novembro de 2025. Nesses registros preliminares, o dono do Banco Master buscava antecipar o teor de ordens de busca, apreensão ou quebra de sigilo, utilizando termos como: “Médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?” e “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”. Em outro momento crítico das tratativas, argumentou que uma medida restritiva drástica quebraria a instituição financeira de forma irreversível: “Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade […] Se puder me deixe uma mensagem após falar com ele”.
A investigação aponta que Vorcaro utilizava capturas de tela enviadas em modo de visualização única para transmitir trechos de notas e indagações. Por essa razão, embora os registros demonstrem de forma inequívoca os questionamentos e pleitos do banqueiro, o material recuperado até o momento não exibe os termos exatos das respostas emitidas por Alexandre de Moraes.
A revelação do teor das mensagens aprofunda a crise institucional em torno do colapso do Banco Master e amplia o escopo das apurações sobre o vazamento de informações sigilosas relativas a operações da Polícia Federal.
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