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Ex-governador, Cláudio Castro (PL-RJ), é alvo da PF em esquema de R$ 3,6 bilhões com o Banco Master

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Investigações apontam desvio de R$ 3,6 bilhões do fundo de pensão dos servidores fluminenses para o Banco Master; cerco jurídico força ex-governador a desistir da disputa ao Senado.

📸 Ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) / Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, colocando o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no centro de um dos maiores escândalos de engenharia financeira e desvio de recursos públicos da história recente do estado. A investigação apura um esquema bilionário que direcionou R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência — fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores públicos fluminenses — para ativos de altíssimo risco estruturados pelo Banco Master, instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central por insolvência e suspeita de fraudes.

A decisão que autorizou os dez mandados de busca e apreensão cumpridos no Rio de Janeiro e em Brasília partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Agentes da PF apreenderam telefones celulares e documentos na cobertura de Cláudio Castro, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.

O Mecanismo de Injeção de Capital

De acordo com o relatório da Polícia Federal, os repasses de dinheiro público foram divididos em etapas estratégicas para contornar mecanismos de compliance e travas regulatórias do próprio mercado financeiro:

  • Fase Inicial (2023–2024): O Rioprevidência realizou aportes diretos de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo próprio Banco Master.
  • Migração Regulatória (Pós-julho de 2024): Após pressões e alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o modus operandi mudou. Para mascarar os investimentos e injetar capital na instituição que já passava por uma severa crise de liquidez, os recursos foram direcionados a uma teia de fundos estruturados (como os fundos Arena e Revolution) e gestoras ligadas ao grupo econômico do banqueiro Daniel Vorcaro. Foram R$ 2,01 bilhões injetados nessa modalidade, somados a outros R$ 629 milhões sob auditoria na mesma rede.

A PF sustenta que as movimentações ignoraram sistematicamente pareceres técnicos internos desfavoráveis, ausência de estudos de riscos comparativos e contaram com o credenciamento acelerado da instituição financeira junto à autarquia fluminense.

Sincronismo, Viagens de Luxo e Jantares de R$ 60 mil

O que transformou a linha de investigação puramente técnica em um caso de corrupção política foi o que a PF chamou de “elevada coincidência temporal”. A quebra de sigilo e a análise das mensagens de texto do celular de Daniel Vorcaro — preso preventivamente em Brasília — revelaram um estreito vínculo pessoal e o alinhamento político com o ex-chefe do Executivo fluminense.

Os relatórios apontam que Vorcaro custeou viagens internacionais de luxo e agendas privadas para Cláudio Castro. Em um dos episódios destacados pela Procuradoria, mensagens do ex-governador celebram uma “experiência incrível” em Nova Iorque após um jantar gastronômico regado a uísques escoceses, cujo valor estimado ultrapassou a cifra de R$ 60 mil, integralmente pago pelo controlador do banco.

Em contrapartida a essas vantagens indevidas, o Palácio Guanabara teria atuado diretamente nos bastidores políticos para promover trocas estratégicas na diretoria colegiada do Rioprevidência. As nomeações ocorriam sempre nas vésperas da liberação de novos lotes de investimentos bilionários em favor do Master.

O Impacto Político e a Defesa

Este desdobramento representa o segundo grande revés jurídico de Cláudio Castro em um curto espaço de tempo. Quinze dias antes, o ex-governador havia sido alvo da Operação Sem Refino, que apura favorecimento fiscal e blindagem de investigações ligadas ao Grupo Refit (Refinaria de Manguinhos).

Diante do forte desgaste político provocado pelo avanço da Operação Compliance Zero, Castro comunicou oficialmente à cúpula do PL a desistência de sua pré-candidatura ao Senado Federal. Aliados pontuam que o recuo visa focar os esforços exclusivamente na estratégia de defesa jurídica para evitar um eventual pedido de prisão preventiva.

Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro, representada pelo advogado Carlo Luchione, reitera a convicção na legalidade e na lisura de todos os atos praticados pelo político durante o mandato. Os advogados argumentam ainda que o ex-governador nunca fez parte de comitês operacionais de investimentos e que, assim que surgiram ruídos no mercado, determinou o afastamento da cúpula da autarquia. A nota ressalta que, entre o fim de 2025 e o início de 2026, o estado conseguiu efetuar o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão que estavam sob a gestão do Master, mitigando prejuízos imediatos ao erário.

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